
O Novo Feudalismo do Século XXI
Esta crise tem evidenciado um retrocesso social crescente que possui diversas características do feudalismo medieval.
Pegando como exemplo a cidade de São José Para Poucos–SP, cidade-laboratório onde gestam-se todas as novas iniciativas nacionais para a implementação da última fase do neoliberalismo, o neoliberalismo radical, podemos verificar diversos indícios deste novo totalitarismo disfarçado de regime democrático e que ressuscita elementos do Feudalismo Absolutista.
Tratando a cidade como um feudo particular, onde se coloca como senhor absoluto da vida, da morte e da lei, o prefeito Adolf Cury, vem demonstrando paulatinamente seu desprezo pela democracia e suas instituições, colocando-se acima de qualquer autoridade e da própria lei.
O caso mais recente se dá com o afrontamento à decisão judicial de embargo à uma obra desnecessária da SSM (Sec. De Serviços Municipais) construída numa APP (área de preservação permanente) onde, contrariando as leis do país, continua a obra com o presunçoso argumento do : Aqui quem manda sou eu.
Mesma lógica absolutista e tirana usada para nomeação de cargos em comissão que não atendem critérios mínimos de competência na área, como o Engenheiro Naval que virou secretário de educação e da pedagoga que virou advogada da prefeitura, sempre com o mesmo argumento, o cargo é meu, a cidade é minha, faço o que quero.
Aliás, esta prática de criar cargos públicos para acomodar a “nobreza falida” é outra característica feudal que vem exportando á todo país à expensas do aumento contínuo dos impostos e da tributação sobre o cidadão comum, entre as quais podemos citar:
- Cobrança de luvas das empresas de transporte pública para operar na cidade (enquanto a maioria dos municípios subsidia o transporte público, aqui se lucro com o mesmo);
- Comissão sobre os lucros da Sabesp (o que configura sobretaxa na conta mensal de água e esgoto);
- Aumento abusivo do IPTU apesar de promessa eleitoral contrária (coincidência ou não, um dos únicos locais que não tiveram aumento foi o condomínio fechado de luxo onde mora)
Outra característica marcadamente feudal é em relação à segurança e a nova arquitetura municipal: Assim como no feudalismo onde o senhor e sua nobreza estavam protegidos pelos muros dos castelos, multiplicam-se os condomínios fechados, vigiados por guardas armados 24hs enquanto a grande maioria da população fica cada vez mais refém de uma crescente onda de violência camuflada em dados estatísticos manipulados.
Esta violência estimulada através do aparato do Estado com a retirada de direitos sociais e investimentos maciços em repressão, no melhor estilo vigiar e punir de Foucalt, tem por objetivo espalhar o medo e a submissão das massas de maneira a impor sua opressão e exploração.
Exemplo desta política feudal desumana é a perseguição declarada aos excluídos, seja através da pressão sobre a ocupação de terrenos por parte dos sem teto(Pinheirinho), seja agora na mais torpe de todas as perseguições, a que quer restringir o direito à sobrevivência, através da restrição de acesso à alimentação dessas pessoas, como no caso da proibição da solidariedade do sopão.
O que não deixam claro à população é que, aquele a quem não é respeitado nem o direito à comer, à ter um teto nem emprego, condições mínimas para a manutenção da dignidade humana, vai ter como único recurso a criminalidade em todas as suas piores formas, razão esta deste aumento descomunal da violência que é habilmente usada pelo Estado como pretexto para impor seu estado policial, punindo os mais pobres para que não ousem se rebelar e furtando a liberdade de todos em nome de uma falsa segurança.
Quem duvida é só ver os enormes e crescentes investimentos ano a ano em câmeras de segurança que vigiam e controlam sem que se perceba a vida de todos mas que, na contramão apresentam um aumento na onda de violência.
Aliás, outra coincidência (como há coincidências, não é mesmo?) quem vende as câmeras a peso de ouro pra prefeitura é vizinho do prefeito e além de mamar uma grana preta do nosso dinheiro, ainda paga menos IPTU.
Pra finalizar a onda de coincidências históricas com o feudalismo, só vence licitação na cidade quem é amigo do rei e investe em suas campanhas milionárias, campanhas caras porque tem de calar a boca de muita gente, inclusive bocas famintas.
É a merendinha das crianças por 33 milhões enchendo a pança dos 400 ladrões.
Só esqueceram que o fim do feudalismo foi na guilhotina.
Enquanto morrem pobres, ninguém se mexe, será que não está na hora de matarmos reis?
Jorge Saladino