terça-feira, 23 de setembro de 2008

Candidatos à vereador acendem vela pra Deus e outra pro diabo na busca de votos

Candidatos fanáticos
Por Aurélio Moraes

O que é afinal o nosso horário eleitoral para vereador de São José dos Campos? Um programa evangélico?
É uma falta de respeito com quem é de outra religião, com os ateus e com os agnósticos ver na TV candidato usando o seu cristianismo para se promover.
Temos o Roberto Feltrin, fantoche do Santos Neves. Em seu horário na TV, Santos Neves aparece fazendo proselitismo religioso, com uma mensagem falando de Jesus na parte de baixo da tela. O que é que isto tem a ver com política? Política e religião não se misturam. Outro candidato que abusa da religião é o Fabrício Correia, do PSDC. Em seu espaço na propaganda eleitoral gratuita, ele afirma que "felizes são os que temem o senhor". Além de utilizar uma retórica do culto ao medo para quem não acredita nos dogmas evangélicos dele, ele não apresenta nenhuma proposta. Isto devia ser proibido, aliás. Quer pregar, QUE NÃO UTILIZE O HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO. O espaço na tv é para política e não para proselitismo barato e chulo. Mal começa o programa e o cara já fala "sou cristão evangélico.." como se falasse "eu sou cristão, isso me torna melhor que os outros candidatos!".
Penso que igrejas podem pedir para seus fiéis seguirem seus dogmas, mas não têm o direito de estendê-los à toda a população na Câmara municipal, por exemplo. Lembremos de quando a "bancada da fé" de São José, quando vereadores como José Luis e Lino Bispo tentaram proibir a distribuição da pílula do dia seguinte na rede pública de saúde. É isso que os candidatos que invocam a religião no horário eleitoral querem: transformar a política joseense em uma teocracia, sendo instrumentos dos dogmas de padres e pastores.
Não quero neste artigo me mostrar intolerante com as religiões. Religiosos têm todo o direito de praticar suas fés em casa e nas igrejas.
Mas política é algo que deve ser feito para todos, independente de crença (ou a falta dela). Quem acha que têm mais credenciais para ser vereador por ser evangélico ou católico deveria repensar os seus princípios. Penso também que um vereador pode ser religioso, mas na hora de elaborar projetos e votá-los na Câmara deve pensar que nem todos os cidadãos compartilham a mesma fé que ele.
Se você é evangélico ou católico, por favor pense antes de votar em um candidato apenas porque ele comunga da sua fé. Procure descobrir se ele têm propostas e projetos que beneficiem a todos em São José e não só o seu grupo religioso. Tente descobrir se os valores dele independem de sua crença e se ele pretende apenas ser um fantoche de sua religião na Câmara Municipal. A política é muito importante para ser pautada através de crenças religiosas particulares, porque vivemos um Estado Laico.

Aurelio Moraes

3 Comentários:

Vitor Yoshida disse...

Discordo em parte com vc Saladino.
Para mim religião e política tem tudo a ver. Pois a religião não é apenas a devoção e o culto nas igrejas mas sim o amor ao próximo para que se torne digna e igual a situação social de todos. E o religioso tem em comum com o político as ações para que a igualdade seja real e verdadeira na Terra. Ou seja, as açoes tem que ser convergentes para esse fim, para o tão falado bem comum, que é bem mais do que a maioria dos políticos falam.
Sou católico e político. O pior são os políticos que se dizem católicos. José Luis e Lino Bispo assinaram documentos com compromisso com a igreja, uma delas fidelidade partidária, e sem receio algum não a cumpriram.
A generalização é sempre infeliz.
Gosto do seu blog.

aurelio disse...

O artigo é meu e não do amigo Saladino.rsrs.
O problema, vitor, é quando o religioso ao entrar na política tenta viabilizar sua crença através do estado, quando tenta impor o ensino religioso ou do criacionismo nas escolas.Ou então quando por causa da crença religiosa na existência da alma usam isto como argumento para barrar a pesquisa com celulas tronco embrionárias.
Abraços

thiago disse...

estado laico já !!!

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